.:: Osmar Monte – Escritor
Estamos em pleno século XXI, no ano de 2026, e muitas pessoas não experimentaram uma viagem de avião; e muitas outras sequer andaram em ônibus. Isso é natural num país de grandes dimensões e desigualdades econômico-sociais.
Um fato curioso aconteceu num voo de Brasília ao Rio de Janeiro. Uma Senhora de aproximados 70 anos de idade, mineira, moradora na área rural das várzeas (Vazante/MG), pela primeira vez saiu do interior de Minas Gerais, com a finalidade de ir visitar parentes. A mulher de nome Luzia, nascida e criada naquela localidade, resolveu realizar o sonho de viajar de avião e conhecer o Rio de Janeiro. Teve a primeira emoção ao sentir a decolagem de uma aeronave voando pelas alturas.
Quando todos os passageiros estavam sentados, a comissária de voo falou: “Passageiros do voo…, aqui fala a comissária… Apertem os cintos e observem os avisos luminosos… “Em seguida, uma vistoria olhando todos, foi constatado que a Senhora Luzia não havia colocado o cinto: “Senhora, por favor queira apertar o seu cinto”. Ela respondeu: “Eu não vou ficar amarrada nesta cadeira; e se eu precisar pular?”
Finalmente, a comissária de bordo gentilmente foi até o assento e fechou o cinto da passageira. O avião decolou e em minutos alcançava altura, até sobrevoar por cima das nuvens encantadoras que mostravam um cenário celestial.

A dona Luzia chamou uma outra comissária e perguntou:
“Moça, “nóis tá” indo pra onde nesse fumaceiro que ninguém “inxerga” nada?
A dona Luzia chamou uma outra comissária e perguntou: “Moça, “nóis tá” indo pra onde nesse fumaceiro que ninguém “inxerga” nada? “Logo, a comissária explicou que isso é normal e que os aviões voam acima das nuvens.
O ambiente parecia tranquilo quando o comandante do avião anunciou: “Vamos passar por uma turbulência.” O avião sacudiu e a turbulência mostrava a queda de muitos metros, gerando desconforto nos passageiros. Dona Luzia gritou: “Chame o chofer do avião e diga que eu quero descer; eu não aguento esse sacolejado; tá parecendo brinquedo de balanço pendurado em galha de pau”.
O susto passou. O avião manteve a tranquilidade do voo em “céu de brigadeiro”. Dona Luzia puxou conversa com uma jovem que estava sentada do lado: “Oi ‘muié’, o que ‘ocê’ vai fazer na Cidade Maravilhosa? Vai passear?” Educadamente, a bela jovem respondeu: “Eu sou poetisa e escritora; vou ao Rio de Janeiro participar de um evento literário; vou receber um importante título acadêmico e o lançamento de uma antologia”. “Uai”. Murmurou a dona Luzia.

Dona Luzia arregalou os olhos, franziu a testa e mostrou-se espantada:
Nunca tinha pensado de encontrar uma intelectual da literatura
Dona Luzia arregalou os olhos, franziu a testa e mostrou-se espantada: nunca tinha pensado de encontrar uma intelectual da literatura. E continuou falando que ia visitar parentes e conhecer a praia. Ela tinha medo do mar porque ouviu falar que no mar moram fantasmas que puxam as pessoas para Iemanjá levar para um Reino Encantado.
A conversa continuou, a escritora pacientemente explicou para dona Luzia que isso é fantasia popular; que as belezas do mar são obras da Natureza; que as ondas têm força e ninguém deve descuidar para não ser arrastado…
Logo foi anunciado pelo comandante o pouso no Aeroporto Santos Dumont. Dona Luzia gritou: “Para esse trem que ‘nóis’ vai cair nas águas e eu não sei nadar…” Felizmente, o avião pousou com normalidade e dona Luzia suspirou: “Eu ‘tô’ morrendo de medo, minhas mãos tão frias e minhas pernas entrevadas”.
.:: Revista VISUAL: Conclusão ::.
Logo foi anunciado pelo comandante o pouso no Aeroporto Santos Dumont. Dona Luzia gritou: “Para esse trem que ‘nóis’ vai cair nas águas e eu não sei nadar…” Felizmente, o avião pousou com normalidade e dona Luzia suspirou: “Eu ‘tô’ morrendo de medo, minhas mãos tão frias e minhas pernas entrevadas”.












