..:: Introdução
Pertencente à Região dos Lagos, na Baixada Maranhense, Monção é uma das ocupações mais antigas do Maranhão. Assim como na maior parte das cidades brasileiras, nasceu de uma aldeia indígena Guajajara chamada Carará que foi aculturada e dominada por colonizadores. Seu primeiro núcleo ficava no povoado Areias, a cerca de 6 km da fazenda Camacaoca subindo o rio Pindaré. Ronilson de Sousa, historiador monçonense, afirmou ter feito este trajeto, chegando até a Reserva do Gurupi. A sede atual foi construída por volta de 1760 em um planalto, escolhido pelo inglês Diogo Boily. O território de Monção era vasto, fazendo divisa com Imperatriz, Carutapera e Pinheiro.

Como Viana, vista na 16.ª edição da Revista Nova Imagem, Monção possui uma tradição musical
importante desde o século XIX. Entretanto, raras informações sobreviveram ao tempo. Em 1888, em um
evento ao Papa da época organizado pelo vigário Manoel Viriato de Araújo Bogéa, foi feita uma ladainha
com acompanhamento instrumental, um Te-Deum Laudamus (hino católico) e uma tocata da banda de
música com cantores. Mesmo sem saber quem eram os participantes, este acontecimento mostra que Monção contava com um movimento musical proporcionando as vivências que levaram à formação dos
músicos de então.

Conheça muito mais sobre a história do Maestro
Monçonenses com atuação relevante
O pouco que sabemos provém dos maestros monçonenses com atuação relevante em outras cidades e
nelas lembrados. Um deles é Sebastião Augusto da Costa Pinto (1876-1942), que nos primeiros anos dos
novecentos, estava morando em Vitória do Mearim. Em 1908, foi para Itapecuru-Mirim organizar e
reger a banda Despertadora Itapecuruense, criando na oportunidade do Hino desta cidade. Em 1922,
recebeu uma ótima proposta salarial para liderar a banda da Companhia Manufatureira e Agrícola do
Maranhão em Codó, fixando-se lá por alguns anos. No fim da década de 1930, estava em São Luís
regendo o Jazz Sebastião Pinto.
Outro maestro de Monção que teve relevante trajetória foi Almir Garcez Assaí. Em 1936, já atuando
como tabelião, perdeu sua primeira esposa, Ismar Alves Melo Assaí. Anos depois, fixou residência em
Bacabal e se tornou um importante músico nesta cidade, fundando a banda Santa Cecília na década de
1950. A atual Escola de Música Municipal leva seu nome em homenagem.
Dentre os maestros que ficaram em Monção, temos Joaquim Maciel Aranha, listado como instrutor de
música em 1906. Na década seguinte, temos Antonio Maciel Aranha, certamente parente do anterior. É
comum que pessoas da mesma família se dediquem à música, estimulados pelo ambiente doméstico.
Na década de 1930, Martinho Diniz era o regente da banda de música local.
A próxima informação que temos trata da Lei Municipal n.º 105/1954, que organizou a instrução
primária em Monção com escolas na sede e nos povoados, prevendo a criação de uma escola de música.
Entretanto, não temos notícias posteriores sobre ela ou mesmo se chegou a ser implementada de fato.
Na cultura popular, Monção é berço de um sotaque do bumba-meu-boi pouco conhecido mesmo para
pesquisadores: o de “caixa” – eles preferem chamá-lo de “Baixada de Monção” – que faz uso de
tamboretes e corneta, além de ter uma articulação rítmica distinta. Dentre seus grupos, destacam-se o
Boi Linda Jóia de Jacareí e o da comunidade quilombola de Mata-Boi. O projeto Terra dos Tambores,
liderado pelo percussionista Kadu Galvão, entrevistou o mestre Manoel Pinheiro do Boi Linda Jóia –
acesso em: https://youtu.be/KRT4ot92OH4.
Outra tradição monçonense é a Festa do Divino do povoado Outeiro, também mantida graças a esforços
comunitários. Para as bandas de música, que precisam de instrumentos, material didático e pró-labore
para professores, a sobrevivência depende de investimentos, e Monção é um caso em que esta tradição
foi abandonada. Surpreende também a dificuldade em encontrar fontes sobre sua história, mesmo
sendo um local antigo – um alerta antes que mais informações sejam perdidas.
.:: Revista VISUAL: Conclusão ::.
Outra tradição monçonense é a Festa do Divino do povoado Outeiro, também mantida graças a esforços
comunitários. Para as bandas de música, que precisam de instrumentos, material didático e pró-labore
para professores, a sobrevivência depende de investimentos, e Monção é um caso em que esta tradição
foi abandonada. Surpreende também a dificuldade em encontrar fontes sobre sua história, mesmo
sendo um local antigo – um alerta antes que mais informações sejam perdidas.





