.:: NORMALUZ – Escritora
Dedico a mim mesma o que me resta da vida, não sei se será muito ou pouco, mas quero me dar presentes caros endereçado a mim mesma sem permitir que ninguém corrompa a tranquilidade que minhas escolhas me oferecem.
Depois de longos anos exigindo tanto de mim mesma, hoje consigo ser mais livre. Caminho no meu tempo, atenta e desprendida de tudo que poda o que eu realmente sou.
Alheia a quem me define, continuo buscando minhas respostas, procurando o que me faz bem e me deixa mais feliz, refletindo sobre minhas escolhas, repensando meus erros, me apegando aos meus acertos. Tentando amadurecer um pouco mais, revejo, avalio meu destino, hoje muito mais próxima e reconciliada com ele (o tempo).
Sou minha melodia desafinada, ensaiada. Minha tela, hora em branco ou rabiscada, hora plena, preenchida, transbordada, derramando ou vazia.
Sou minha consciência, minha razão, dona das minhas vontades, dos meus desejos, das minhas verdades, aspirações, amores e emoções.
Sou minha melhor companheira, fiel e intuitiva… Modelo de nada, curiosa de tudo. Aprendiz e ainda universitária sim, mas dona e senhora de mim, em busca do que sempre procurei em vão.

Hoje, quero me dar o prazer de passar pelo espelho de uma vitrine, ver que me sinto bem
Que os anos os quais reneguei deixaram em mim olheiras escuras, causadas pelo carinho que ninguém nunca soube me oferecer
Hoje, quero me dar o prazer de passar pelo espelho de uma vitrine, ver que me sinto bem. Que os anos os quais reneguei deixaram em mim olheiras escuras, causadas pelo carinho que ninguém nunca soube me oferecer e sozinha transitei procurando o porquê de tantas coisas que ao final tinham de acontecer… E aprendi de tudo um pouco.
Assim, vivo a minha busca, trilhando a minha estrada sem rumo, sem pressa ou destino. Se este é o caminho certo, se é aprendizado ou sabedoria eu já não sei… Só sei que nenhuma definição me prende, me cabe, me pune ou segura, o hoje é o que me move e quem eu decidi lutar para ser aqui dentro de mim, e quem realmente sou, decido eu.
Dedico a mim mesma as músicas que me fizeram lembrar de alguém, mas agora não choro as ausências, nem há aquela fila longa de arrependimentos por não saber se ia ganhar ou perder.
Eu me dou permissão para abrir uma garrafa de vinho sem motivo para brindar, porque às vezes eu só preciso da minha própria companhia.
Olhar pra mim e dizer que vou ficar bem e que nada é pra sempre, porque estamos de passagem e tudo é aceitável, menos deixar pra depois.
Quero me dar flores, porque em algum momento quando as ganhei eu não soube contemplá-las e desfazê-las, esperando que a última pétala me dissesse que me amava — quando os que tinham que me dizer morreram em silêncio e eu sem nenhuma flor.
É por isso que quero dedicar o resto da minha vida a mim mesma!

Quero me entregar a chave da felicidade que ganhei quando perdi meus medos de falhar
Não ser aceita, não ser o que pensavam ou esperavam de mim
Quero me entregar a chave da felicidade que ganhei quando perdi meus medos de falhar, não ser aceita, não ser o que pensavam ou esperavam de mim.
Eu quero pendurar novos quadros naquela parede onde me encostei todos os dias e noites vendo fotos que me deixavam à beira da solidão e feridas em carne viva, porque sentir saudades era para os fracos e superar era para os corajosos e tive que aprender a ser forte como sou.
Quero tomar um café onde tive que ir para não cruzar com pessoas que diziam ser eternas para mim e se revelou eterno o esquecimento que deixaram, sem saber o quão quebrada eu tinha ficado quando as portas do meu coração estavam abertas e meus braços fechados para minha tristeza ou sucesso se algum dia aconteceria.
Quero andar pelas ruas sem esperar encontrar alguém do meu passado e me perguntar por que não está no meu presente?
Fui assim, dando passo a passo, um depois outro; bem devagar consegui chegar ao espelho mais próximo, e foi aí que eu me vi depois de muito tempo.
Parei, olhei para mim, falei para mim como quem fala com uma amiga e disse para mim mesma…: O que vou fazer para o resto da vida? Quanto tempo ainda me restará?
E ali parada em frente ao espelho a última decisão foi… VIVER.
Afinal de contas é minha vida — e ela não se repetirá.
Quero apenas VIVER! Apenas Seguir em Frente.
É o que me resta depois de todos esses anos.
.:: Revista VISUAL: Conclusão ::.
Afinal de contas é minha vida — e ela não se repetirá.
Quero apenas VIVER! Apenas Seguir em Frente.
É o que me resta depois de todos esses anos.
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